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Em seu cântico, Maria expressa sua alegria a Isabel, sua prima, ao dizer-lhe que estava grávida. Maria estava muito contente por ter sido a mulher escolhida para ser a mãe do Salvador Jesus.

Você conhece a história do nascimento de Jesus. Sabe, também, que a gravidez de Maria ocorreu por obra do Espírito Santo, sem que houvesse qualquer relacionamento sexual entre Maria e José, seu noivo. É bem verdade que foi um susto para os dois, já que não eram nem casados. Imagine!

Jesus foi concebido no ventre de Maria por obra e graça divina. Nós cremos nisso, e Maria também cria, por isso pôde louvar e cantar a Deus por ele lhe ter feito grandes coisas (Lc 1.49). Maria tinha certeza de que aquela gravidez estava nos planos de Deus.

Estou lembrando desse episódio bíblico só para fazer uma comparação com outro fato que tem acontecido demais em nosso meio, que é a gravidez sem planejamento e não desejada. Seria maravilhoso se toda mulher, ao descobrir que está grávida, pudesse louvar a Deus e agradecer-lhe a bênção de estar gerando um novo ser, não é mesmo? Mas, infelizmente, a realidade é outra. Em muitos casos, a gravidez é um verdadeiro desastre na vida dessas mães. E isso acontece porque não foi planejada e, muitas vezes, é o resultado de um relacionamento sexual fora dos propósitos de Deus para o casal.

Os problemas decorrentes de uma gravidez sem planejamento se agravam ainda mais quando ela ocorre na adolescência, período que se estende desde a puberdade até os 18 anos, mais ou menos, uma vez que, além de não ser desejada, ocorre num organismo em formação, que ainda não está preparado completamente para as modificações necessárias para nutrir, sustentar e desenvolver a criança no útero. Nós, médicos, consideramos uma gravidez de alto risco, que é encarada com maiores cuidados no pré-natal. Os bons hospitais, inclusive, reservam ambulatórios exclusivos para as adolescentes grávidas, onde a equipe de saúde poderá oferecer orientações preventivas para essa ”menina grávida”, bem como consultas mais freqüentes do que para os casos de gravidez de baixo risco.

Durante a gravidez, a adolescente está sujeita a complicações graves, tais como o trabalho de parto prematuro, a pré-eclâmpsia, que é o aumento da pressão arterial durante a gestação, a anemia, o deslocamento prematuro da placenta e outros problemas, que podem até causar a morte, tanto da mãe, quanto do bebê. Esses problemas ocorrem com maior freqüência quanto menor for a idade da gestante.

Um fato que agrava ainda mais o alto risco, que somente pela idade já existe, é que, por medo da reação dos pais ou por não saber o que fazer quanto à escola e a sociedade, a adolescente tenta esconder a gravidez enquanto pode, chegando, muitas vezes, a tentar interrompê-la através de um aborto. Por ser esse é um período de extremo desespero, o pré-natal só tem início já no final da gravidez, quando pouco ou nada pode ser feito pela equipe de saúde.

Eu preciso deixar muito claro que todos esses problemas podem ser perfeitamente evitados se você, adolescente, encarar sua adolescência com muita firmeza e convicção da vontade de Deus. Do seu mundo, fazem parte a fantasia, as expectativas e o planejamento, que receberão forte influência daquilo que você vê, lê e ouve.

Nossa sociedade tem sido bombardeada pelos costumes e atitudes das novelas “globais”, por letras de músicas e revistas de banca, que têm estimulado o amor livre e a sexualidade de forma inconseqüente e promíscua. Esses costumes e atitudes têm encontrado terreno fértil na mente da maioria dos adolescentes, que desejam imitar os personagens e os ídolos do rádio, da televisão e das revistas. E, como acontece nas novelas e filmes, o primeiro contato sexual se dá de forma inesperada, entre adolescentes que nunca tiveram orientação quanto aos riscos de acontecer uma gravidez.

Lembre-se do que Jesus disse: “o ladrão (o Diabo) não vem senão para roubar, matar e destruir…” (João 10.10a). E o Diabo tem conseguido destruir a vida de muitos adolescentes por meio da iniciação sexual antes do tempo, desestruturando para sempre a vida do jovem casal. Ela se vê forçada a parar os estudos. Ele se vê obrigado a garantir o sustento do bebê.

Sob a pressão dos familiares, ainda que sem amor, muitos assumem um compromisso de casamento, mesmo sabendo que não vai durar muito tempo. Ela, então, se vê sozinha e com a responsabilidade de educar o filho, que irá crescer sem a presença do pai. Este, por sua vez, ainda que venha a formar outra família, sempre estará ligado ao passado através do filho, cuja existência jamais poderá ignorar.

Percebe como o problema passa a ser de todos? E, o que é pior, até de quem não escolheu entrar nele: a criança.
Seja forte, adolescente! Não se deixe vencer pelas tentações e influências dos amigos que vivem longe da vontade de Deus. Ele tem uma vida muito melhor para lhe dar. Jesus completou aquele versículo assim: “…eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância” (João 10.10b).

Lute contra tudo aquilo que não faz parte da vontade de Deus para a sua vida. Você tem armas poderosas, em nome de Jesus. Que o Senhor abençoe você.

Beatriz Helena Purim de Azevedo
Obstetra e Ginecologista – SP

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